reg. 214-17 Carlos Guilherme Mota. IEA - Instituto de Estudos Avançados. Professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. Escreveu várias obras, dentre elas: "História do Brasil — Uma Interpretação" (2008), com Adriana Lopez; "Ideologia da Cultura Brasileira" (1977 e 2008); "A Idéia de Revolução no Brasil e outras Idéias" (2008); "1789-1798: a Revolução Francesa" (2007); "História da 'Folha de S.Paulo'" (1981), com Maria Helena Capelato; "Nordeste, 1817: Estrutura e Argumentos" (1972). 2017/06/05 Foto: Marcos Santos/USP Imagens

“Sistema é fechado e democrático na aparência, mas desmobilizador das oposições”

Historiador Carlos Guilherme Motta faz definição sintética do regime brasileiro de singularidades. É o “capitalismo senzaleiro, com resquícios até da era colonial misturados com a modernidade” no qual “se eterniza o elevador de serviço para os empregados” e “nem FHC nem Lula quebraram”.  Conciliador, entretanto, ele resgata o até aqui esquecido Manifesto à Nação Ameaçada, do general Antonio Carlos de Andrada Serpa (1916-1996), ativo nacionalista e anticomunista durante mais de 50 anos. O documento, de 1981, prega a aproximação entre militares e civis em torno de um modelo estatista e atraiu assinaturas dos Antônio Ermírio de Moraes (1928-2014), Severo Gomes (1924-1992) e outros. Para o professor Motta, “não é de estranhar que os melhores quadros (do governo Bolsonaro) provenham das Forças Armadas, gente que tem estudo e disciplina, viaja e conhece o mundo, acompanha as novas tecnologias”. Na entrevista ao jornalista Gabriel Manzano, da coluna Sônia Racy, do Estadão, publicada na segunda-feira 21, o reconhecido historiador não dá alento à esquerda. “Comparada com ela (a capacitação das Forças Armadas), vejo que o caminho das esquerdas, para se reabilitar, será bastante longo”. Ele aponta que os militares “trabalham focados em tarefas e na formação de quadros, coisa que a política convencional e as esquerdas não fazem”. O estamento militar, para ele, representaria “uma segurança contra personalismos e familismos imprudentes”. Será mesmo? O tempo vai mostrar. ;