Barafunda política faz agência Moody´s prever reforma da Previdência só para o 2º semestre

A agência de classificação de risco Moody´s expediu relatório em que prevê a aprovação da reforma da Previdência apenas para o terceiro trimestre deste ano. A valer o prognóstico, é um prazo que extrapola as datas estipuladas tanto pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, quanto pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia. Ambos convergem suas previsões para o mês de maio. O aumento de prazo pode provocar mau humor no mercado financeiro, que conta com a reforma para sustentar o otimismo que vem levando a Bolsa de São Paulo a quebrar recorde sobre recorde.

Na leitura da Moody’s, o presidente Jair Bolsonaro não firmou uma base sólida dentro da Câmara. Uma primeira ideia de suas dificuldades se deu na apreciação da Medida Provisória  sobre a reforma administrativa que ele promoveu, com o enxugamento de ministérios e extinção de cargos. Os deputados fizeram mais de 300 emendas à MP, numa demonstração de que os articuladores políticos do governo não estão conseguindo colocar filtros nas iniciativas dos parlamentares.

Os problemas políticos do governo só se agravaram, nos últimos dias, com o duelo aberto pelo vereador Carlos Bolsonaro, o filho 02 do presidente, contra o ministro Gustavo Bebbiano, da secretária-geral da Presidência. Acusado de mentiroso, epíteto corroborado por Bolsonaro em mensagem pelo Twitter, o ministro pode cair a qualquer momento.

Para o governo, a perda seria sentida diretamente na Câmara. Com péssimas relação como o chefe fda Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o presidente Maia fez questão de agradecer o papel de Bebbiano em sua reeleição, declarando que o ministro agiu corretamente, ou seja, sem prejudicá-lo. O secretário-geral é, ainda, responsável pelo apoio à eleição de diversos deputados federais do PSL, que podem igualmente questionar seu próprio alinhamento com o governo – a exemplo de Bebbiano, que nesta quinta-feira 14 se declarou ‘triste e decepcionado’ com o presidente – logo na largada. O quadro político, é certo, ficou pior para o governo esta semana.