Em Viena, na ONU, agente da PF constrange palestrante: “O Brasil, que nunca foi hostil em foros internacionais, mudou”, lamenta ela

ÉPOCA_ Após cinco dias do bate-boca protagonizado pela embaixadora Maria Nazareth Azevêdo e Jean Wyllys, em Genebra, na Suíça, outro momento constrangedor aconteceu na Organização das Nações Unidas (ONU), dessa vez, em Viena, na Áustria. Nesta semana, acontece a 62ª edição da Comissão de Drogas Narcóticas (CND) e, em um dos painéis, foram apresentados dados sobre a intervenção federal no Rio de Janeiro. 

A brasileira Luciana Zaffalon, membra da Plataforma Brasileira de Política de Drogas, explanava sobre a quantidade de mortes relacionada à intervenção — entre fevereiro e julho de 2018, 736 pessoas foram mortas pela polícia, uma alta de 35% em relação ao mesmo período de 2017. Ao final da apresentação, Zaffalon citou o caso Marielle, cujas primeiras conclusões da investigação foram apresentadas na última semana, e a relação com milicianos do Rio de Janeiro.  

Um policial federal, Elvis Aparecido Secco, Coordenador-Geral de Polícia de Repressão a Drogas e Facções Criminosas, interrompeu a sessão de perguntas e respostas para defender a intervenção. “Você está falando de pessoas, no geral. Para mim, a maioria são criminosos”, afirmou, em inglês. “No Rio de Janeiro, há muito mais pessoas criminosas contra a Polícia do que pessoas inocentes”, continuou, apesar do inglês intermitente. Luciana Zaffalon relata o constrangimento: “Havia uma abertura para debate ao final da apresentação. E ele, colocando suas credencias como policial federal, como se isso fosse desqualificar meus dados, que eram dados oficiais, questionou minha apresentação. Todos ficaram assustados, em choque, pela forma como fui questionada. Com certeza, está havendo uma mudança de postura nas Relações Exteriores. O Brasil nunca foi hostil em foros internacionais”. d0cf11e0a1b11