Paulinho leva centrão a combater ajuda a governadores no bolo da reforma da Previdência

Deputados do Centrão ameaçam nova articulação para dificultar a reforma da Previdência. Alegam que não vão votar a favor de regras que afetam a vida dos servidores dos Estados, enquanto os governadores criticam a proposta de reforma para seus eleitores.

O deputado Paulinho da Força (SD-SP) é um dos deputados mais críticos à ajuda aos estados no âmbito da reforma. Na CCJ, ontem, ele afirmou que o presidente Jair Bolsonaro é a favor da retirada desse ponto. Paulinho disparou farpas contra o governador de São Paulo, João Doria. “Ele fica lá numa boa fazendo campanha para a Presidência e deixa o desgaste para os deputados”, rebateu. “Os governadores que façam a reforma lá nas suas assembleias, e não aqui.”

O aviso, dado em plenário, antes da aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), demonstra que os partidos do Centrão (PP, PR, DEM, PRB e Solidariedade) começaram a articular uma nova resistência a reforma. A artilharia no Centrão deverá se concentrar na comissão especial, segunda etapa da tramitação do texto no Congresso que analisará o conteúdo da proposta.

O grupo contesta as alterações propostas para o abono salarial, aposentadoria rural e BPC (benefício pago a idosos de baixa renda), que representam juntas R$ 228,5 bilhões, cerca de 20% da economia de R$ 1,1 trilhão prevista pelo Ministério da Economia. A exigência de 60 anos como idade mínima para professoras se aposentarem (hoje, é de 55 anos no setor público e a vinculação das regras de aposentadoria proposta aos servidores da União ao funcionalismo de Estados e municípios, também serão contestada. Com a retirada da abrangência das regras, as administrações regionais deixariam de economizar R$ 500,8 bilhões em 10 anos.

O líder do Podemos na Câmara, José Nelto (GO), disse que seu partido vai querer reduzir o tempo mínimo para aposentadoria de professores. Ele afirmou que aguarda a divulgação dos dados e que, se isso não acontecer, o partido não votará a reforma. O governo prometeu começar a abrir as informações após a votação na CCJ.

O PSD cobra a retirada do BPC, das mudanças na aposentadoria rural e da chamada desconstitucionalização (pela proposta, algumas regras de acesso e cálculo dos benefícios da Previdência deixariam a Constituição e poderiam ser modificadas com a aprovação de projetos, que exigem número menor de votos). O deputado Fábio Trad (PSD-MS) disse que quer ainda estudar as regras de transição para os servidores públicos.