BBC_ “Parabenizo (Benjamin) Netanyahu pela grande vitória e pela renovação de seu mandato como primeiro-ministro de Israel. Bibi é um grande líder e seguiremos trabalhando juntos pela prosperidade e pela paz dos nossos povos, com base em nossos valores e convicções profundas”, escreveu no Twitter, em 11 de abril, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

Na ocasião, o partido de Netanyahu, Likud, havia sido o mais votado nas eleições gerais de Israel, fazendo do premiê o mais longevo da história do país – ele já acumula dez anos no cargo.

Bolsonaro havia acabado de fazer uma visita de Estado a Israel, onde fora recebido com honrarias por Netanyahu.

Os dois firmaram acordos de cooperação, e Bolsonaro acompanhou o premiê em uma ida ao Muro das Lamentações. Bolsonaro também concluiu a visita com o “compromisso”, em suas próprias palavras, de mudar a embaixada brasileira para Jerusalém, medida que também causaria atritos na comunidade internacional. O problema de todos esses acenos a Netanyahu é que, desde então, o premiê israelense sofreu importantes percalços que podem tirá-lo do poder, complicando seu futuro, uma vez que ele é alvo de acusações de corrupção (as quais nega).

Naquele mês de abril, ele não conseguiu formar uma coalizão de governo e convocou eleições gerais, que foram realizadas na última terça-feira. O resultado do pleito é que Netanyahu saiu enfraquecido: os resultados finais ainda não foram divulgados, mas com 95% das urnas apuradas até sexta feira, o principal adversário do premiê, o partido Azul e Branco (centro-esquerda), lidera as apurações e deve ficar com estimadas 33 cadeiras das 120 do Parlamento israelense, provavelmente duas cadeiras a mais do que o Likud.

A possível troca de comando em Israel é uma entre outras dificuldades enfrentadas hoje por líderes internacionais de quem Bolsonaro se aproximou, na Itália, na Argentina e nos EUA.

Um desses aliados é o italiano Matteo Salvini, ex-vice-premiê que agradeceu publicamente o presidente brasileiro a extradição de Cesare Battisti e teceu elogios a Eduardo Bolsonaro por sua indicação à embaixada brasileira em Washington (ainda não oficializada).

Salvini, que ainda conta com grande popularidade na Itália, tinha pretensões de se tornar premiê quando rompeu, em agosto, com a coalizão que governava o país na época.

No entanto, um acordo firmado em 28 de agosto entre dois partidos italianos – o populista e anti-establishment Movimento Cinco Estrelas e o Partido Democrático, de centro-esquerda – manteve o premiê Giuseppe Conte no poder e frustrou, ao menos por enquanto, as pretensões de Salvini.

Na Argentina, o presidente Mauricio Macri se prepara para uma dura eleição presidencial em 27 de outubro Seu adversário, Alberto Fernández, que tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, venceu com vantagem contundente as eleições primárias de 11 de agosto: ficou 15 pontos percentuais à frente de Macri.

As pesquisas de opinião mais recentes publicadas na imprensa argentina apontam que parece pouco provável que Macri consiga reverter esse resultado.

Na época das primárias, o governo brasileiro fez duras críticas a Fernández. O chanceler Ernesto Araújo afirmou que o candidato é como uma “boneca russa”: “Há o Alberto Fernández, você abre e lá está Cristina Kirchner, você abre lá e está o Lula, e depois (Hugo) Chávez”, afirmou ao jornal argentino Clarín o chefe do Itamaraty. “Não temos ilusão de que esse kirchnerismo 2.0 seja diferente do kirchnerismo 1.0.”

Bolsonaro, por sua vez, pediu a empresários brasileiros reunidos em um congresso do aço que “colaborassem” com Macri. “Não estamos apoiando o Macri, só queremos que aquela velha esquerda não volte ao poder”, afirmou o presidente em 21 de agosto, segundo a Folha de S. Paulo. “E se o caminho for apoiar Macri, que seja o apoio ao Macri.”