Menor crescimento de lucro líquido frente aos concorrentes nos últimos cinco trimestres gera dúvidas sobre gestão do Itaú

BR: Nos últimos cinco trimestres, o banco Itaú ficou atrás de seus principais concorrentes privados, Bradesco e Santander, no quesito mais respeitado pelo mercado financeiro para a compreensão do momento administrativo de cada instituição: a lucratividade. O baixo desempenho do Itaú está anotado nesta terça-feira 15 por um dos mais influentes boletins informativos do País, o Relatório Reservado, que tem entre seus assinantes presidentes e CEOs das maiores empresas brasileiras.

“A dúvida que sobressai das medições é se o banco não está com alguma ferrugem em sua máquina de gerar resultados”, questiona o RR sobre o Itaú.

O texto aponta que desde o primeiro trimestre do ano passado o banco das famílias Setubal, Moreira Salles e Villela perde em geração de lucro líquido para o concorrente brasileiro e a instituição espanhola. A única exceção, e apenas em relação ao Santander, aconteceu no primeiro semestre de 2019, quando o Itaú performou um lucro líquido 8,1% maior do que o trimestre anterior, com o espanhol fazendo apenas 2,4%.

Em relação ao Bradesco, porém, o RR assinala que o Itaú “perdeu de lavada” diante da evolução de 14,6% no lucro líquido do concorrente brasileiro, que já encosta em seus calcanhares na disputa pela liderança geral do mercado nacional. A posição de ‘front runner’, de resto, foi alcançada pelo Itaú não por performance, mas pela fusão com o Unibanco, em 2008. Desde então, a distância estabelecida para o Bradesco só diminui.

Em meio a um complexo momento de sucessão em sua presidência, ocupada por Cândido Bracher, sem que um candidato natural apareça como ponto de união entre as famílias controladoras, a performance aquém das expectativas do Itaú tem as seguintes hipóteses levantadas pelo Relatório Reservado:

“Pode ser que o Itaú ainda esteja regurgitando a fusão com o Unibanco. Ou – quem sabe? – não é a crise de identidade provocada pela saída de Roberto Setubal da presidência da instituição. Ou talvez simplesmente uma fuligem na engrenagem do banco dos engenheiros. Também pode ser o conjunto dessas variáveis”, escreve o boletim dirigido à elite empresarial e financeira. “O fato é que o Itaú tem tido uma queda recorrente de performance na geração de lucro líquido comparativamente à concorrência privada. Os ‘itaulatras’ do mercado já começam a suspeitar que algo mudou, ou está mudando”.

Para sanar as dúvidas dos investidores,  diz o RR, só há uma opção: “que venham mais trimestres”.