No day after da Previdência, desorganização e base frágil ameaçam tornar reforma de Bolsonaro ineficaz

BR: A falta de uma base organizada no Congresso começa a se revelar, na prática, já no day after da apresentação do projeto de reforma da Previdência do governo. Esse cenário amplifica os riscos tão temidos pelo mercado de uma desidratação intensa dos termos do pacote apresentado pelo governo, reduzindo bastante a economia prevista de mais de R$ 1 trilhão.

Ou seja, a reforma da Previdência passa pelo Congresso, mas a dúvida é saber até que ponto ela será inócua do ponto de vista do ajuste fiscal.

A senador Simone Tebet (MDB-MS) disse com todas as letras: “Ela entra de um jeito, mas sai de outro”, referindo-se à proposta lançada pelo governo.

O presidente Jair Bolsonaro adiou reunião com as lideranças dos partidos que são considerados da base aliada, pois o clima é de insatisfação. 

E o líder do governo, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), não deu qualquer declaração em defesa do projeto. Pelo contrário, disse que o governo ‘não é dono da verdade’, e que o Congresso será soberano para mexer na reforma.

“A palavra final é do Congresso”, disse ele, após se reunir com a bancada do PSL.

Segundo lideranças, a falta de maior traquejo e experiência fazem com que Vitor Hugo seja exageradamente subserviente aos parlamentares, sem personalidade e instrumentos para negociar a defesa dos pontos de vista do governo, ou seja, do projeto de reforma da Previdência apresentado ontem.

Dentro do Palácio do Planalto, a ordem é começar a negociar com os líderes para construir uma base aliada de 350 deputados, o que garantiria uma “gordura” de votos para aprovação da “nova Previdência”.

O presidente já autorizou o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, a tratar da liberação de recursos de emendas parlamentares e promover nomeações de segundo escalão nos estados.

Um assessor presidencial disse que essas negociações fazem parte da vida legislativa, afinal, as emendas são aprovadas no Orçamento da União e as nomeações poderão ser feitas pelos aliados, mas dentro de critérios técnicos.

Mesmo assim, de acordo com Vitor Hugo, o governo não estabeleceu um limite para a “desidratação” da PEC.

“A reforma como um todo está aberta para ser alterada pelo Parlamento. Não existe um ponto central, mas sim um conjunto de medidas”, disse o líder.