Venezuela tem o temido caça Sukhoi; Brasil possui o elogiado Grippen; guerra nos céus seria ataque contra defesa

BR: Em caso de as tensões diplomáticas e na fronteira da Venezuela com o Brasil avançarem para um conflito armado, uma das áreas mais distoantes no quesito armamento se dará no céu. Os governos de Jair Bolsonaro e Nicolás Maduro dispõem de caças de fabricação e configuração completamente diferentes entre si. O Brasil tem os Grippen, fabricados na Suécia, próprios para defesa. A Venezuela, por seu lado, guarda os temidos Sukhoi, russos, feitos para o ataque.

Em discurso ontem, em Caracas, Maduro rompeu relações diplomáticas com a Colômbia, mas acenou com compra de alimentos e medicamentos do Brasil. Mas o sinal de paz com o Brasil foi retribuído com uma nota oficial do governo brasileiro classificando Maduro de “ditador” e “presidente ilegítimo”. Além disso, classificou as cinco mortes ocorridas no lado venezuelano, por disparos de tropas do exército de Maduro, como “afronta aos direitos humanos”. O Brasil conclamou, ainda, “todos os países” a romperem relações com a Venezuela.

O governo brasileiro nega qualquer intenção de entrar em guerra com a Venezuela, mas admita-se que a nota oficial deste sábado 24 é sim um escalada de tensões.

Grippen X Sukhoi

Em 2006, a Fuerza Armada Nacional Bolivariana da Venezuela adquiriu 24 caças do tipo Sukhoi Su-30 MKV. Segundo o portal Poder Aéreo – www.aereo.jor.br -, esse iniciativa deu ao país vizinho “posição de destaque entre as forças aéreas da América do Sul”. Aviões de grande porte, com armamento pesado e longa autonomia, eles têm a capacidade, nas palavras de um oficial da Força Aérea Brasileira, de “decolar de Brasília, bombardear Caracas e voltar sem necessidade de reabastecimento”. A afirmação foi feita quando, ainda no governo Fernando Henrique, em 2001, o governo brasileiro anunciou a intenção de renovar sua frota área de defesa. O inverso, hoje, também seria verdadeiro: os Sukhoi podem sair de Caracas, atacar Brasília e voltar sem nenhuma escala.

No governo Lula, o Brasil finalmente concluiu a concorrência, comprando 42 caças Saab JAS 39 Gripen, entregues em pequenos lotes. Os militares da Força Aérea experimentaram este avião, os Sukhoi e também os FX, fabricados pela Boieng – e, nos bastidores, sempre mostraram preferência pelo Sukhoi. Alegadas questões de transferência de tecnologia, no entanto, levaram o governo brasileiro a fechar acordo com a Suécia. Havia também no Itamaraty o receio de que a compra dos Sukhoi apontasse para a intenção brasileira de atuar no ataque, o que poderia causar uma corrida armamentista na América do Sul.

Os Grippen brasileiros tem apenas 14 metros de comprimento, podem operar em pistas pequenas, como trechos de rodovias, de apenas 800 metros, e precisa de apenas 10 minutos e 6 pessoas para fazerem o reabastecimento, rearmar o avião e deixá-lo pronto para mais uma missão. Eles podem carregar 4 bombas guiadas a laser modelo GBU-12 Paveway II (americana), ou duas bombas cluster Bk.90 ou ainda 8 bombas Mark 82 que são menores. Com isso o Brasil tem um avião pequeno mas ágil, que é recheado com as últimas tecnologias.

O Grippen, no entanto, é considerado um avião de defesa. Os Sukhoi são de ataque. Para que esse confronto não aconteça, o melhor mesmo é que não haja guerra.