Em clima de revolta, Congresso faz 539 emendas à ‘MP dos Ministérios’ e pode desmontar reforma administrativa de Bolsonaro

O Palácio do Planalto iniciou operação para blindar a proposta enviada ao Congresso logo no início do governo de Jair Bolsonaro, que diminui o número de ministérios de 29 para 22 e reorganiza as atribuições do Executivo. Mesmo assim, a comissão mista instalada ontem para analisar a MP 870 – batizada de “MP dos ministérios” – mostrou que será muito difícil o governo manter o desenho planejado para a Esplanada.

Com 539 emendas recebidas, a nova configuração da Presidência da República e das repartições federais virou mais um cabo de guerra entre o Planalto e o Legislativo. Embora Bolsonaro esteja fazendo rodadas de conversas com dirigentes de partidos para pedir apoio à reforma da Previdência, como a de ontem – quando se reuniu com dez siglas -, as relações ainda não estão pacificadas.

Para provocar o ministro da Justiça, Sérgio Moro, ex-juiz da Lava Jato, parlamentares querem agora devolver o Coaf à equipe econômica. Cobram, ainda, que o comando da Funai, hoje com o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, volte para a Justiça.

Há também emendas que recriam pastas extintas, como as do Trabalho, Desenvolvimento Agrário e Cultura.


O governo conseguiu emplacar seu líder no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), como relator da comissão que vai avaliar a MP, mas está preocupado com a intenção de deputados e senadores de desfigurar a Esplanada.

O enxugamento dos ministérios foi uma promessa da campanha de Bolsonaro. Até mesmo o líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP), defende, porém, mudanças no projeto original.