Pesquisa com 109 deputados mostra divisão nos pontos objetivos da reforma da Previdência

BR: A Câmara dos Deputados acredita na aprovação, com folga, da reforma da Previdência, mas quando se desce a detalhes da proposta enviada na semana passada pelo presidente Jair Bolsonaro, essa certeza não se mostra tão sólida.

Essa é a principal conclusão do levantamento da Arko Advices Pesquisas feito com 109 deputados federais, de 26 partidos políticos diferentes, entre os dias 18 e 21 de fevereiro. À base de entrevistas pessoais, a apuração que 39,45% do universo investigado considera a gestão Bolsonaro como ótima ou boa, contra 22,95% de opções nos quesitos ruim ou péssimo.

Na divisão dos partidos, 100% do PSL afirmou que a gestão é ótima/boa, contra 83,3% de indicações no mesmo item para o PSDB e 80% do DEM. Um dos principais fiéis da balança da Câmara, o centrão, representado na pesquisa pelas legendas PP, PR, PSD e PRB, se mostrou bem mais reticente e dividido. Apenas 54,54% desse contingente considerou a gestão Bolsonaro até aqui como ótima/boa.

Uma maioria de 68,8% dos deputados questionados acreditam na aprovação da reforma da Previdência. Os pesquisadores registram que, transferido para o número total de 513 deputados federais, esse percentual representaria 352 votos, bem acima da necessidade de 308 sufrágios para aprovar a PEC. Apenas 23,85% dos deputados entrevistados manifestaram que a reforma não será aprovada.

Entre as bancadas com mais de 25 deputados, DEM, MDB, PP, PR, PSDB, PSL e PRB atingiram 100% de respostas favoráveis à reforma. Na oposição, 25% do PSB e 16,6% do PDT igualmente disseram que ser por mudanças no sistema de aposentadorias. Quanto ao PT, o índice de aceitação da reforma foi zero.

Há uma tendência de consenso sobre quando, afinal, a reforma será votada pela Câmara. Uma margem de 34% dos pesquisados apostou no mês de junho, contra 22% em até maio, 18,35% em até abril e 17,5% em até julho. Isso significa que a grande maioria do universo de políticos entrevistados crê que o martelo seja batido ainda no primeiro semestre.

Os deputados se dividem em partes quase iguais quando a pergunta é sobre a aprovação das idades mínimas de 65 anos para homens e 62 anos para mulheres, como cortes para o direito à aposentadoria, tal qual está na PEC do governo. Enquanto 37,6% disseram concordar com essa proposta, um percentual maior, de 39,5% responderam discordar. A turma do não sabe ficou com 23%, indicando que há uma fatia bastante larga para a ser conquistada pelo governo ou pela oposição.

Até o PSL, que respondeu em 100% ser a favor da reforma, não tem maioria total quando se fala nas idades mínimas, marcando 70% a favor. O placar de aceitação desse quesito entre os partidos ficou assim: PSDB, 66,6%; PP, 62,5%; DEM e PRB, 60%; PSD, 44%; PR e PSB, 25%; e PDT, 20%. No PT, a concordância, outra vez, é zero. Dados expostos, fica a indicação de que a Câmara está sim propensa a aprovar a reforma, mas nos detalhamento da PEC reside toda a divergência.