Em Portugal, Moro fala o que quer, mas ouve o que não quer: “Ativista político disfarçado de juiz”

BR: O ex-primeiro-ministro de Portugal José Sócrates não gostou nada de ter sido citado pelo ministro Sergio Moro, da Justiça, durante palestra no VII Fórum Jurídico, em Lisboa. Falando sobre combate à corrupção, Moro citou o “famoso exemplo envolvendo o antigo primeiro-ministro José Sócrates (acusado pela Operação Marquês, similar à Lava-Jato brasileira), que, vendo à distância, percebe-se alguma dificuldade institucional para que esse processo caminhe num tempo razoável, assim como nós temos essa dificuldades institucional no Brasil”.

Sócrates, que pertence ao Partido Socialista, comandou Portugal entre 2005 e 2011, aguarda em liberdade julgamento por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro. Prestigiado por seu partido, ele alega inocência.

Ao site Migalhas, especializado em temas jurídicos, Sócrates enumerou fatos polêmicos envolvendo Moro em seu tempo de juiz:

“O juiz (Moro) valida ilegalmente uma escuta telefônica entre a presidente da República e o anterior presidente. O juiz decide, ilegalmente, entregar a gravação à rede de televisão Globo, que a divulgou nesse mesmo dia. O juiz condena o antigo presidente por corrupção em “atos indeterminados”. O juiz prende o ex-presidente antes de a sentença transitar em julgado, violando frontalmente a Constituição brasileira. O juiz, em gozo de férias e sem jurisdição no caso, age ilegalmente para impedir que a decisão de um desembargador que decidiu pela libertação seja cumprida”, afirmou. Para Sócrates, Moro ajudou a criar “um espetáculo bastante sinistro”. “O que o Brasil está a viver é uma desonesta instrumentalização do seu sistema judicial não serviço de um determinado e concreto interesse político. É o que acontece quando um ativista político atua disfarçado de juiz. Não é apenas um problema institucional, é uma tragédia institucional”, conclui Sócrates, afirmando que pretende voltar ao assunto. �z(