Lobão chuta o balde: ‘Não é possível que, em 6 meses de governo, basicamente o grito de guerra seja ‘Bolsonaro 2022’

Para o cantor e compositor Lobão, que apoiou o presidente em sua campanha, as manifestações estão ficando repetitivas e se esvaziando. Ele acredita que o governo incita o povo a ir às ruas para passar uma visão de que a direita está unida, quando na verdade não está. “ A direita já não se comporta dentro da própria direita, já há grupos que são irreconciliáveis”.

“Está ficando um pouco repetitiva essa coisa de sair toda hora na rua. Você percebe muito mais uma articulação pró-governo, aquela coisa chapa-branca. Uma coisa de usar o bolsonarismo contra os Poderes constituídos, ou seja, contra o Congresso Nacional, contra STF e assim por diante. Acho que é uma máquina que o governo incita, digamos assim, para que haja as pessoas na rua dando uma certa visão de que a direita está unida, mesmo já começando as primeiras manifestações de hostilidade entre as hostes de direita”, disse.

“Pelo que notei nas redes sociais, há uma narrativa de que estamos todos unidos novamente, os olavistas e todo mundo, contra a esquerda, contra o Greenwald, quando na verdade os próprios olavistas sistematicamente estavam incitando inclusive violência física contra grupos, o próprio MBL, estigmatizando pessoas físicas e movimentos como traidores”, acrescenta.

“Na verdade, o que está acontecendo é que, nesses primeiros seis meses de governo, o ódio se recrudesceu, as pessoas estão mais beligerantes nas ruas. A direita já não se comporta dentro da própria direita, já há grupos que são irreconciliáveis. Isso é um sinal muito sério de que estamos caminhando para uma situação irreconciliável. Acho que o governo é responsável por isso”, afirma.

“O principal ali é a campanha presidencial de 2022, que foi de uma maneira bastante clara e absolutamente inesperada. Já foi declarado que o Bolsonaro já está em campanha. Isso também é preocupante. O governo é muito desorganizado, é caótico, dá sinais claros de autoritarismo e retaliação, de péssimo trâmite no alinhavar com políticos. A economia vai muito mal, a educação vai muito mal, a cultura também. Você vê quatro ministros fritados num espaço de tempo curtíssimo e não existe fidelidade, não existe uma harmonia no governo. É um caos. Isso causa desconforto, incerteza”, aponta.

“É tudo uma bagunça. Esse afã de ir para as ruas toda hora está ficando bobo, perdendo o sentido. Aí você tem quem está lá pelo Sérgio Moro, esbarra em quem está ali brigando pelo artigo 142, o outro quer Bolsonaro 2022. Tem muita coisa. É uma esquizofrenia, uma histeria política, onde ninguém sabe exatamente o que está acontecendo”, lamenta.

“O Bolsonaro sempre foi contra o Mercosul. De repente está surfando na circunstancialidade de uma conquista de 20 anos de negociações. O fato é que a popularidade do presidente vem decaindo, já tem pesquisas que confirmam isso. E não vai adiantar dourar a pílula. Ele cada vez mais se mostra conflitante nas suas declarações, mais beligerante, nervoso, descontrolado. Quando chegou em Tóquio estava visivelmente consternado com a história da cocaína, uma bola nas costas incrível. A gente vê que a situação está à deriva”, acrescenta.