“Bolsonaro cometeu um dos atentados mais violentos que um chefe de Estado já fez à moralidade pública”, diz filósofo Roberto Romano

BR: As repercussões negativas ao post feito ontem pelo presidente Jair Bolsonaro, que divulgou cena obscena ocorrida no carnaval de São Paulo, estão se multiplicando.

Professor de Ética e Filosofia da Unicamp, Roberto Romano afirmou esta tarde que a postura de Bolsonaro revelou uma falta de conhecimento dele sobre o cargo para o qual foi eleito.

“Bolsonaro cometeu um atentado ao decoro público, ao decoro do cargo e da República brasileira. Foi um dos eventos mais violentos que um chefe de Estado já fez à moralidade pública. É ainda pior, para além das imagens, ele ter afirmado que esse comportamento é comum nas festas de carnaval do país. Ele atribuiu o comportamento de duas pessoas a milhões delas. Com que direito ele faz isso?”, questiona Romano. “O chefe de Estado não pode caluniar o próprio povo. A suposição de que todo o Brasil vive à beira de uma explosão obscena não pode ser provada”, completou ele.

Para o cientista político Gaudêncio Torquato, “se Bolsonaro tinha a intenção de mostrar que o carnaval tem práticas escatológicas e pornográficas, não poderia recorrer a esse fato dantesco”.

Já o professor de Comunicação Política Roberto Gondo, da Universidade Mackenzie, acredita que o presidente foi coerente com a estratégia que ele próprio e seus filhos têm adotado nas redes sociais. “O clã Bolsonaro tem apelado muito mais para a impulsividade, usa mais a emoção do que a razão. Ele e os filhos sabem exatamente os caminhos que as redes percorrem, tanto que abusaram disso durante a campanha eleitoral. Seria mentira dizer que são ingênuos quando adotam posturas como essa”, refletiu Gondo. “Se Bolsonaro deixar de se posicionar como o ‘mito’ que construiu, as pessoas podem identificá-lo como frágil”. fffff