Bolsonaro mexeu em vespeiro atômico: aliança com Trump para ida de Brasil à Otan gera críticas duras da Rússia; “Ambiente de confronto”

BR: Até demorou, mas não tardou a chegar uma crítica formal da Rússia a respeito da iniciativa dos presidentes Donald Trump, e Jair Bolsonaro de planejarem a entrada do País na Otan – Organização do Tratado do Atlântico Norte, o grupo de países militarizados que tem a liderança dos EUA.

O vice-ministro russo das Relações Exteriores, Alexander Grushko, atacou as declarações de Trump de considerar o Brasil um aliado estratégico da Otan e, ao mesmo tempo, admitir a entrada do País no bloco. Bolsonaro ficou encantado com o anuncio, considerado mais um elo no alinhamento do Brasil com os Estados Unidos.

“Este tipo de declaração não favorece a distensão do ambiente de confronto, o que repercute no funcionamento das organizações internacionais”, disse o diplomata russo. Ele lembrou que a carta de fundação da Otan não permite o ingresso de países que estejam fora do continente europeu. Trump demonstrou saber das dificuldades quando afirmou, diante de Bolsonaro, que “teria de falar com muita gente” para conseguir a entrada do Brasil, mas que, antes disse, talvez o País pudesse figurar “como aliado”.

O resultado é que o Brasil entrou bem no meio da histórica guerra fria entre EUA e Rússia, algo que nunca acontecera em razão da política externa independente praticada historicamente com o Itamaraty.

Bolsonaro mexeu num vespeiro atômico – e não foi por falta de aviso.