Ligação entre Previdência e reeleição feita por Paulinho tem alto poder destrutivo; Bolsonaro disse ser contra 2º mandato, mas mudou de ideia

BR: O presidente Jair Bolsonaro já disse nos bastidores, a mais de um interlocutor, que a promessa de campanha de não tentar a reeleição deve ser quebrada. “A pressão está forte” é a expressão que ele usou para dizer que deverá, mesmo contra sua vontade inicial, tentar um segundo mandato. Ao associar o sucesso da reforma da Previdência à reeleição presidencial, quando disse ontem, referindo-se ao presidente, que “qualquer idiota consegue se reeleger com esse dinheiro”, durante os atos de 1º de Maio, em protesto contra a reforma, Paulinho acertou na mosca.

Para refutar o posicionamento do deputado, Bolsonaro terá de sair a campo para dizer claramente que a reeleição, a exemplo do que ele declarou em campanha, não está em seus planos. Mesmo que isso não signifique que, na prática, ele não possa mudar de ideia quando chegar a hora de se definir legalmente, a nova negativa já irá lhe criar embaraços na eventual futura empreitada. Bolsonaro será um candidato do qual os adversários poderão dizer que mentiu não apenas uma vez, mas duas.

De outra parte, se procurar mostrar que uma coisa, a Previdência, não tem a ver com a outra, a reeleição, o presidente não irá negar seu objetivo político, confirmando-o, portanto.

Contra um presidente que quer se reeleger, quando nem seis meses de mandato foram completados, deputados de várias colorações partidárias tendem a ser unir. Não apenas os da oposição, mas também os que apoiam o governo e, dentro de suas agremiações, consideram outras alternativas, que não Bolsonaro, para a urna eletrônica de 2022.

No mínimo, Paulinho tornou mais caro o apoio do centrão à reforma da Previdência. Uma jogada de mestre, só possível para quem, como ele, cumpre neste momento o quarto mandato de deputado federal, com experiência de sobra na arte do Congresso manobrar presidentes.