Flavio Bolsonaro quer desmatamento 100%; projeto de lei libera corte total de matas nativas em propriedades rurais

BR: O senador Flavio Bolsonaro (PSL-RJ) já pode ganhar um novo apelido, além do conhecido 01, por ser o primogênito do presidente Jair Bolsonaro. Se alguém chamá-lo de ‘motosserra’, ele não terá motivos para não gostar. Afinal, é de sua coautoria um projeto de lei que acaba de ser apresentado no Senado, liberando os proprietários rurais de qualquer percentual de cota de preservação de vegetação nativa em seus respectivos sítios e fazenda.

Hoje, áreas privadas na região da Amazônia são obrigadas a manter 80% da vegetação nativa. No Cerrado, o índice de preservação é de 35%. Em campos gerais e outras regiões do país, 20%. Se o projeto de lei feito em parceria com o senador Marcio Bittar (MDB-AC) emplacar, todas as restrições para desmatamento serão retiradas do Código Florestal.

Entre os argumentos usados por Bolsonaro para justificar suas intenções está o de afirmar que “os burocratas ecológicos continuam a propagar desinformações que permitem a desavisados difamar, caluniar e cercear àqueles que mais preservam a vegetação nativa: os produtores agropecuários”.

No campo da economia, os dois senadores alegam que, na Amazônia, a potencial extinção da vegetação nativa seria compensada por negócios, especialmente na área de mineração, estimados em US$ 23 trilhões, “sendo US$ 15 trilhões em recursos minerais metálicos e energéticos e US$ 8 trilhões na superfície, com a biodiversidade”.

Bolsonaro 01 e seu colega Bittar não explicaram, porém, a base de cálculo para contas tão promissoras. E muito menos o que poderá ser feito depois que a Amazônia se transformar de floresta em deserto.