Em queda longa, rumorosa e desgastante, Bebbiano atira na Folha: “Ser humano crê nas versões mais abjetas”

Com sua exoneração já assinada e pronta para ser publicada no Diário Oficial da segunda-feira 18, segundo confirmação hoje da Agência Estado, o tecnicamente ainda ministro Gustavo Bebbiano segue gastando munição. Depois de disparar críticas ao presidente Jair Bolsonaro, agora ele agregou ao seu alvo o jornal Folha de S. Paulo. Ao sair do hotel que lhe serve de moradia, em Brasília, Bebbiano jurou inocência no caso da denúncia de desvio de R$ 400 mil do fundo partidário para a conta de uma candidata a deputada federal, em 2018, que obteve apenas 246 votos. Um candidata ‘laranja’, portanto. A suspeita é que o dinheiro foi para o caixa 2 de outras candidaturas.

“Vincular (o caso da candidata laranja do PSL de Pernambuco) não tem nada a ver comigo, isso é a lei, o estatuto do partido, é o bom senso. Como alguém na nacional pode controlar o que acontece no Acre, em Rondônia, muito que foi feito lá?”, questionou Bebbiano. Ele reforçou que não fez “nada de errado” e que está com a consciência “absolutamente tranquila e limpa”. Indagado sobre como percebe o tratamento que recebeu de Bolsonaro nos últimos dias e a anunciada demissão, disse que vê com “perplexidade”.

“Não sou eu que dispenso o tratamento, eu estou recebendo o tratamento com perplexidade. Quem dispensa o tratamento é que tem que explicar os seus motivos.”

Embora responsabilize o diretório estadual do PSL pelas decisões da distribuição de verbas, o ministro saiu em defesa do deputado Luciano Bivar, na época presidente do diretório estadual do PSL em Pernambuco. “Até que se prove o contrário, eu confio no Bivar, ele não fez nada de errado”, disse.

Bebianno afirmou que tem informações de que Bivar “fez tudo de forma absolutamente correta”, mas ponderou que, caso contrário, o presidente do diretório estadual seria responsabilizado. “Se for provado algo contrário a responsabilidade não é minha, não é da nacional, isso não existe. Simplesmente a Folha de S. Paulo tenta forçar, induzir essa coisa, mas não é verdade.”

Ele culpou reportagens do jornal paulista por sua ligação ao caso e disse que isso “atinge a honra de uma pessoa de bem”, mas ressaltou que “não quer bater boca sobre o assunto”. “Na política a gente sabe como as coisas funcionaram até aqui. Então a política é muito mal vista. Além disso, o ser humano tem a tendência de acreditar nas versões mais abjetas da história”, alegou Bebianno.