Com governo derrotado na Câmara, Guedes ameaçando ir embora e Bolsonaro ‘brincando’ de presidir, Bolsa afunda 3,5% e dólar vai a R$ 3,95

BR: Os desencontros políticos do governo Jair Bolsonaro já cobram um preço alto na estabilidade do humor do mercado financeiro. Nesta quarta-feira 27, uma verdadeira degringolada ocorreu na Bolsa de Valores de São Paulo, principal termômetro da avaliação de investidores sobre o futuro da reforma da Previdência. O Ibovespa caiu 3,57%, enquanto o dólar, na outra ponta, subiu 2%, chegando à marca de R$ 3,955.

A virada de humores, que já se anunciara na última sexta-feira, se deu por três fatores em especial. Na véspera, a Câmara aprovou, quase que por unanimidade, com apenas seis votos contrários, o Orçamento impositivo. Ele retira poderes do governo federal sobre alocação de recursos e aumenta em cerca de R$ 4 bilhões os gastos previstos para o próximo ano. Hoje, o Senado por pouco não confirmou essa medida, mas há chances de o texto saído da Câmara ser votado já amanhã.

Na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, o ministro Paulo Guedes, da Economia, ameaçou, pela segunda vez, deixar o governo. “Se não quiserem meu serviço, não tenho apego ao cargo. Não desisto na primeira derrota, mas tenho uma vida lá fora”, disse.

Ao longo da tarde, enquanto isso, o presidente Jair Bolsonaro distribuiu opiniões desencontradas, ora mandando ‘beijos’ e pedindo ‘paz’ na relação com o Congresso Nacional, ora desferindo provocações diretas ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia. “Maia está abalado por questões pessoais”, afirmou o presidente, em referência à prisão do ex-governador Moreira Franco, na semana passada, sogro do chefe do Poder Executivo.

De acordo com Álvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais, existe uma grande possibilidade de o Senado também aprovar o orçamento impositivo e isso tem mostrado uma articulação fraca do governo no Congresso. “Com tudo isso, o dólar e a Bolsa acompanharam, com dólar subindo e Ibovespa caindo. É preciso que o governo coloque a reforma da Previdência nos trilhos novamente”, afirmou Bandeira. Na principal derrota do governo até o momento, ontem a Câmara aprovou em dois turnos de votação, por mais de 400 votos em cada turno, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 2/2015) que estava parada desde 2015 e que aumenta a proporção de gastos obrigatórios do governo, o que na prática impõe mais restrições à parcela dos gastos que podem ser gerenciados pelo Palácio do Planalto.  A votação aconteceu no mesmo dia em que Guedes, cancelou de última hora sua participação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), a primeira a analisar a reforma da Previdência. ffffffff