Estouro da PF no laranjal do PSL em Minas torna insustentável ministro do Turismo; Marcelo Álvaro só não caiu antes porque Bolsonaro não quis dar cabeça dele à Folha, diz colunista

BR: O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, só está no cargo ainda porque o presidente Jair Bolsonaro não quer dar o braço a torcer ao jornal Folha de S. Paulo. O veículo foi o primeiro a denunciar um esquema de candidatas laranjas no PSL de Minas Gerais, que o ministro preside e pelo qual se elegeu deputado. Hoje, a Polícia Federal realizou buscas e apreensões em endereços do partido no estado e um porta-voz informou que foram encontradas provas robustas de desvios nos recursos do fundo partidário, mantido com dinheiro público.

A investida e as primeira conclusões da PF tornam desconfortável a posição de Bolsonaro em manter Marcelo Álvaro por mais tempo no governo. Até aqui, o presidente alegou que precisaria deixar as investigações correrem seu curso até tomar uma decisão.

As buscas na manhã desta segunda foram autorizadas pela Justiça e estão sendo feitas também em gráficas e empresas que declararam ter prestado serviços para as candidatas. Ao todo, são sete mandados.

Apesar de figurar como campeãs no recebimento desses recursos públicos, essas candidatas tiveram votação inexpressiva e não apresentaram sinais de terem feito campanha efetiva.

Outras candidatas e a deputada federal Alê Silva (MG) acusam o ministro de chefiar o esquema. Laranjas também foram lançadas pelo PSL de Pernambuco, comandado politicamente pelo presidente nacional da sigla, Luciano Bivar.

O caso do laranjal do PSL já resultou na queda do ministro da secretaria-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, que comandou a legenda interinamente nas eleições.