Veja: “Se ele não me quer, é só me dizer. Pego minhas coisas e vou embora”, diz Mourão sobre Bolsonaro; presidente vai dizer?

O vice-presidente Hamilton Mourão já admitiu, em tom de desabafo, que pode renunciar ao cargo se o presidente Jair Bolsonaro pedir. A informação está na revista Veja que circula a partir desta sexta-feira 26.

Em público, Bolsonaro e Mourão usam metáforas matrimoniais para mostrar que “esse casamento é até 2022, no mínimo”, como disse o presidente, em café da manhã com a imprensa, na quinta-feira 25. Mas nos bastidores, as hostilidades tem deixado os nervos do vice-presidente em frangalhos.

No domingo, após cristalizar sua desconfiança de que os seguidos ataques de Carlos Bolsonaro a ele tem o aval do presidente, Mourão estava calado, triste e até teve picos de depressão. Foi quando desabafou:

“Se ele (Bolsonaro) não me quer, é só me dizer. Pego minhas coisas e vou embora”, desabafou, cercado por familiares. “O presidente nunca me disse para parar, para não falar com essa ou aquela pessoa. Então, entendo que não estou fazendo nada de errado. Mas se ele quiser que eu pare…”, completou.

Bolsonaro já emitiu vários sinais de sua insatisfação com o vice. Semanas atrás, irritado com algo que não deixou muito claro a interlocutores, o presidente censurou o vice. “O negócio é o seguinte: o Mourão é general lá no Exército. Aqui quem manda sou eu. Eu sou o presidente”, afirmou, elevando o tom de voz.

No seu gabinete de vice-presidente, no anexo 2 do Palácio do Planalto, Mourão tem recebido a imprensa, a quem o presidente acusa de querer boicotá-lo, e mantém as portas abertas aos parlamentares críticos do governo. Já recebeu uma parlamentar do PCdoB, Perpétua Almeida, que queria falar sobre as fronteiras do Acre. Também aliados do governo que têm esbarrado em dificuldades para falar com ministros e com o presidente batem à porta de Mourão. Em um governo tão sectário na política e na ideologia, o amplo leque de ação do vice soa como provocação ou, o que é pior, como conspiração. O deputado Marco Feliciano (PODE-SP) protocolou um pedido de impeachment do vice, mas admite que não quer a cassação. “Foi um tiro de alerta”, justifica. Antes de formular o pedido, Feliciano contou o plano a Bolsonaro, que ficou em silêncio. Isso foi tomado pelo parlamentar como um sinal verde. O pedido já foi devidamente arquivado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia.