Mourão admite silêncio a pedido de Bolsonaro, mas volta a contestar: “Brasil e Argentina são sócios comerciais inseparáveis”

O vice-presidente Hamilton Mourão admitiu nesta segunda-feira, 15, que diminuiu suas declarações públicas e entrevistas após um pedido do presidente Jair Bolsonaro. Mourão disse que considerou o pedido como “uma coisa normal” e defendeu Bolsonaro. “Foi criada uma imagem no resto do mundo como se fosse o Átila, o huno, eleito presidente aqui no Brasil. Não é isso.”

No entanto, Mourão voltou a contestar o presidente. Ao El Clarín, Bolsonaro previu “atritos” com a Argentina se a chapa Fernandéz-Kirchner vencer as eleições presidenciais de outubro. Já o vice-presidente declarou que “os dois países são sócios comerciais inseparáveis”, que nunca poderão brigar. Uma posição bem mais racional que a de Bolsonaro.

As declarações de Mourão foram dadas em uma entrevista coletiva concedida a correspondentes estrangeiros na Confederação Nacional do Comércio (CNC), no Centro do Rio. Antes, o vice participou de um evento na Fundação Getúlio Vargas, na zona sul, que teve o acesso da imprensa vetado.

“Não temos tido atrito, eu e o presidente. O presidente conversou comigo um tempo atrás, ‘pô, diminui um pouco a exposição’, uma coisa normal. Eu considero isso uma coisa normal, sem problema nenhum”, comentou.

Chamado de “embaixador” por uma jornalista francesa, Mourão foi questionado sobre o motivo de Bolsonaro não conceder entrevistas a correspondentes internacionais, sendo que, segundo ela, a imagem do presidente não é das melhores no exterior. O vice, então, defendeu o presidente.

“Eu vou falar com o presidente para que ele também converse com vocês. Existe uma certa má vontade com a figura do presidente Bolsonaro. Foi criada uma imagem no resto do mundo como se fosse o Átila, o huno, eleito presidente aqui no Brasil. Não é isso. Ele não é, em absoluto, uma pessoa totalmente fora dos padrões com o que estamos acostumados”, afirmou Mourão.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse não ver “problema nenhum” caso o presidente Jair Bolsonaro (PSL) escolha outra pessoa a vaga de vice em sua chapa nas eleições presidenciais de 2022. Mourão disse que seria “ótimo” integrar uma futura chapa com Bolsonaro, mas que não seria um problema se o presidente “não quiser e precisar de uma outra pessoa para fazer uma composição distinta da chapa”.

O vice-presidente general Hamilton Mourão defendeu hoje que o País faça uma reforma política após concluir a da Previdência. “Temos de buscar uma reforma desse sistema político, de modo que a gente diminua a fragmentação e que os partidos realmente representem a sociedade brasileira e não virem uma sopa de letras como são no atual momento”, disse Mourão, que é filiado ao PRTB, partido dirigido por Levy Fidelix.

Em encontro com correspondentes estrangeiros no Rio de Janeiro, o vice-presidente também afirmou que a reforma da Previdência, cuja votação ficou para o segundo semestre após ser aprovada em primeiro turno na Câmara, não é a solução para todos os males. Ressaltou, porém, que é a primeira medida a ser adotada para o País se recuperar da crise.

“O País está dentro de uma garrafa e tem um gargalo para ele sair dessa garrafa, que é a reforma da Previdência.” Depois, segundo ele, seria possível “abrir o campo, de modo que outras reformas e medidas sejam tomadas para que o País entre num novo ritmo de crescimento sustentável. Essa é a palavra-chave.”

Nesse contexto, Mourão defendeu as privatizações e, citando o ministro da Economia, Paulo Guedes, falou que o Estado brasileiro fará um “enxugamento brando” no funcionalismo. “À medida que as pessoas forem se aposentando, não serão mais substituídas.”

Outro ponto econômico abordado pelo general foi a carga tributária brasileira. Para Mourão, que a considera alta, o sistema precisa ser reequilibrado, com a possibilidade de diminuição da carga num segundo momento. “Inclusive tributando aqueles que não são tributados hoje. Basta olhar esses serviços aí que são prestados: Uber, Netflix essa turma não paga imposto. Temos de ver uma forma desse pessoal pagar imposto.”

Venezuela

Ao analisar a conjuntura do continente, o vice-presidente citou o impasse político venezuelano e disse que não vê no curto prazo um desfecho para a crise. Com discurso conciliador – no início de sua fala, defendeu a crença na “democracia liberal” -, Mourão disse que a solução para o País vizinho passaria por uma concertação que levasse a novas eleições.

Ele alegou, porém, que há grande interferência estrangeira na Venezuela, mencionando a Rússia e a China, além dos cubanos. “Principalmente a Rússia, uma vez que é uma grande fornecedora de armas para o regime venezuelano. Temos a questão da presença maciça de cubanos, que controlam aquilo que são as milícias bolivarianas e ao mesmo tempo o serviço de inteligência lá dentro.”