Azedo: “Bolsonaro nunca se propôs a fazer um governo de centro e sabe que uma aproximação ameaça seu prestígio popular”

BR: O colunista Luiz Carlos Azedo, do jornal Correio Braziliense, matou a charada sobre a renitente negativa, pelo presidente Jair Bolsonaro, em dialogar nos termos que a maioria do Congresso, pertencente ao centro político, requer.

“Bolsonaro não se propôs a fazer um governo de centro, a lógica da formação de sua equipe, sua forma de atuação e a narrativa política que adotou, assumidamente de direita, é incompatível com uma coalizão ampla”, escreve Azedo na edição deste domingo 24, na coluna ‘Bolsonaro, que onda é essa?’, no jornal Correio Braziliense.

“Bolsonaro foi o candidato antissistema, vê a proximidade com o centro político como ameaça ao seu prestígio popular e sinônimo de fisiologismo e patrimonialismo”, prossegue. “Seus ataques à política tradicional são uma demonstração dessa incompatibilidade de gênios”.

O colunista projeta que “para manter a base eleitoral que o levou ao segundo turno, enquanto gozar de prestígio popular, ele não fará nenhum movimento em direção ao centro político que possa parecer aos seus eleitores um ‘estelionato eleitoral’”.

O único jeito de Bolsonaro aceitar ser mais amigável ao centro, representado pela figura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é uma debacle na economia.

“Somente um fracasso na economia, uma “vaca” sinistra, para usar a linguagem dos surfistas, pode levar Bolsonaro a um ‘arreglo’”, conclui Luiz Carlos Azedo. “Mas há uma realidade inescapável: governar é uma ação política, implica interação com o Congresso, o Judiciário e a sociedade civil. Por essa razão, a semana começa com Bolsonaro e Maia se estranhando novamente”.

Bom domingo!