Bravateiro Geral da República, Guedes insinua que privatização da Petrobras entrou na agenda de Bolsonaro; ações sobem 2,8% e levantam Bovespa

BR: Paulo Guedes, o Bravateiro Geral da República, voltou a fazer das suas. Ora simulando uma certa inocência, ora fazendo insinuações sobre informações estratégicas, ele usou a entrevista concedida à Globonews, ontem à noite, para passar uma série de recados. O mais direto deles foi em relação à Petrobras. O ministro disse que o presidente Jair Bolsonaro o tem questionado sobre uma eventual privatização da estatal petrolífera. Isso foi o suficiente para alavancar, hoje, todo o índice Bovespa, com a Petrobras puxando a fila de alta com valorização de 2,8%, antes do meio-dia. O principal motivo foi o aumento do diesel, anunciado ontem, mas a fala transversa de Guedes contribuiu, sem dúvida, para apoiar a alta.

Guedes tocou no assunto enquanto comentava sobre o episódio da interferência no reajuste do preço do diesel. “Essa crise do diesel não mostra que o melhor caminho seria privatizar a Petrobras?”, perguntou um jornalista da emissora, ao que Guedes rebateu: “Olha, você acabou de dizer um negócio que o presidente levantou a sobrancelha”.

Cobrado por explicações sobre esse comentário, Guedes desconversou. “Ué, se o preço do petróleo sobe no mundo inteiro e não tem nenhum caminhoneiro parando no Trump, não tem nenhum caminhoneiro parando na Merkel, não tem nenhum caminhoneiro na porta do Macron, será que tem um problema aqui?”.

Pressionado novamente a detalhar esse “levantar de sobrancelha” de Bolsonaro, Guedes disse que o presidente lhe enviou mensagens comparando o número de companhias petroleiras no Brasil e em outros países. “Brasil: veio uma bandeirinha só da Petrobras. Estados Unidos: 60. Acho que ele quis dizer alguma coisa com aquilo ali”.

Apertado, saiu-se com essa, reconhecendo que foi apenas uma bazófia: “Não, acho que isso seria um salto muito grande (a privatização da Petrobras). Mas tem uma estatal particularmente que outro dia nós estávamos conversando e ele disse ‘PG, você está certo'”.

O ministro se negou a dizer qual seria a empresa pública mencionada na conversa.

Por que Paulo Guedes não leva o cargo a sério?