Apertado na Comissão de Relações Exteriores, Eduardo Bolsonaro não ser desculpa sobre ‘novo AI-5’ e pede debate sobre ditadura militar

Diante da ameaça de perder o mandato parlamentar, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), negou se desculpar na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN), a qual preside, sobre as declarações favoráveis ao retorno do AI-5. O líder do PSL na Câmara também chamou deputado Paulão para um debate sobre a ditadura militar.

Na abertura dos trabalhos da comissão o deputado Paulão (PT-AL) relembrou a fala de Eduardo, que em entrevista a jornalista Leda Nagle, falou que em caso de radicalização da esquerda, seria justificável o retorno do AI-5. “Se vossa excelência defende a volta do AI-5, por tanto, o período ditatorial, não tem sentido ficar sentado representando o parlamento brasileiro”, iniciou o petista. Para Paulão, por Eduardo Bolsonaro ser filho do presidente da República, a defesa do AI-5 torna-se ainda mais grave e “serve de chacota para o plano internacional quando a gente tem um presidente da CREDN defendendo a volta do período ditatorial”, disse o deputado.

Eduardo Bolsonaro afirmou que não cabe retratação no colegiado. “Vossa excelência me fez aqui pensar um pouco, né? Porque se eu fiz uma retratação… Eu dei uma entrevista para a repórter Leda Nagle na internet e fiz uma retratação na internet. Vossa excelência está querendo… Deixa eu usar as palavras corretas aqui… Querendo que eu me retrate aqui na CREDN, que não foi o local onde eu fiz a minha fala”, disse Eduardo.

O presidente da comissão chamou o petista para um debate sobre a ditadura militar. “O senhor aceitaria debater comigo na TV Câmara sobre o regime militar em outra oportunidade? Eu só não quero trazer este debate pra cá deputado, pelo seguinte, se não vai atravancar as outras pautas da CREDN”, concluiu Eduardo.

A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) classificou como constrangedora a defesa de Eduardo. “Constrange a todos nós e é muito ruim ao parlamento”, disse. “Eu penso que isso mereceria minimamente um pedido de desculpas aos membros desta comissão”, insistiu Perpétua.

Para Eduardo, porém, o pedido de desculpas à comissão não se faz necessário e ele defendeu também que a divergência de pensamento entre ele e a deputada do PCdoB é natural. “Deputada, em última análise, como estamos em espectros políticos distintos, isso é o mais natural que pode acontecer. Seria estranho se pessoas do Partido Comunista do Brasil estivessem me aplaudindo”, disse.

O filho do presidente da República voltou a afirmar que não defende a volta da ditadura militar. “O que tenta se fazer é criar uma narrativa colocando palavra na minha boca”, afirmou.